A cinebiografia focada na vida do cantor e compositor americano Bruce Springsteen chega aos cinemas nesta quinta-feira (30) mostrando as inspirações, traumas e relações enfrentadas pelo astro durante a criação de um de seus álbuns mais icônicos e introspectivos de sua carreira: Nebraska.

O longa se passa no ano de 1981, na qual Springsteen após sair da turnê The River juntamente com sua banda, decide abordar um álbum mais intimista e que revelasse não somente um outro lado da vida americana, como também se aprofundasse em seus próprios demônios pessoais. Interpretado por Jeremy Allen White (The Bear), Bruce Springsteen é retratado como um jovem astro de grande potencial nos palcos, mas que assim como a grande maioria de seus colegas na música, também precisa enfrentar os traumas do passado ligados a figura de seu pai aqui interpretado por Stephen Graham (Adolescência), o que entre flashbacks e músicas da carreira do astro se torna uma experiência interessante e imersiva, até mesmo para aqueles que não conhecem a história do cantor.

Como toda grande cinebiografia o longa busca trazer uma conexão entre seu protagonista e o público por meio das canções icónicas que fizeram parte da carreira de Bruce, como “Born in the U.S.A”, “Atlantic City”, “Mansion on the Hill” entre outros sucessos que estiveram presentes no álbum que inspira essa história, o que é de longe uma das melhores coisas desse filme, assim como a interpretação de Allen White que em diversos momentos recria tons, aspectos e manias de Springsteen com alta fidelidade em cena, contribuindo fortemente para que ele esteja entre os principais indicados da academia para a temporada de premiações de 2026.

Além de seus momentos envolvendo o processo criativo de Nebraska, o longa se aprofunda nas relações profissionais e pessoais de Bruce com a presença de seu empresário e amigo Jon Landau (Jeremy Strong) e de seu interesse amoroso Faye Romano (Odessa Young), irmã de uma amigo de escola de Bruce. Ambos funcionam como contrapontos do longa, abordando diferentes perspectivas em torno de Bruce enquanto ele se inspira em filmes, crimes e seus traumas pessoais para compor as canções do seu álbum que diante da pressão do estúdio se torna um desafio ainda maior para ele.

A direção de Scott Cooper é bem aplicada durante os momentos pessoais e profissionais de Bruce, conseguindo apresentar as diferentes camadas que o astro possui em suas realidades vividas, especialmente durante os pontos dramáticos do longa que são contados por meio de flashbacks com fotografias e estéticas únicas deixando a edição do filme como um agrado visual e narrativo que funciona muito bem na tela de cinema.

Outro grande destaque da obra fica por conta de sua ambientação oitentista que além de contextualizar a vida do astro também contribui para justificar decisões estéticas e pessoais de Bruce, imergindo em seus traumas que enfatizam o poder significativo da música em sua jornada de criação musical.

Springsteen: Salve-Me do Desconhecido é uma cinebiografia competente e interessante, que não somente retrata um momento fatídico da carreira de Bruce Springsteen como também consegue se conectar com aqueles que nunca tiveram contato com o astro antes, se tornando um filme necessário tanto para os fãs quanto para o público em geral, que certamente irá despertar o interesse de conhecer ainda mais o passado do artista seja por meio de suas músicas ou de suas vivências pessoais.
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